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Suplementação com leveduras na alimentação equina
Dicas Veterinárias

Devido aos custos elevados da alimentação, alternativas que fogem do “convencional”, passaram a ser exploradas nos últimos anos. Para garantir a demanda, os criadores passaram a utilizar produtos e subprodutos de grãos de cereais com alto teor de amido em substituição à alimentação volumosa ...

Os cavalos no Brasil já tiveram e continuam tendo sua função na agricultura e pecuária, no desbravamento de novas áreas produtivas, além de servir como meio de transporte e serviços e isso demonstra importante dimensão econômica à criação de cavalos no país. Hoje ele também conquistou seu espaço no esporte e o seu leque de atividades é cada vez mais diversificado. O grande desafio de se criar cavalos atualmente é produzir animais saudáveis e resistentes, visto que com o crescimento do setor, exige-se mais dos animas e eles acabam sendo inseridos cada vez mais jovens em programas de treinamento e reprodução. Por consequência as exigências nutricionais também aumentam.

Devido aos custos elevados da alimentação, alternativas que fogem do “convencional”, passaram a ser exploradas nos últimos anos. Para garantir a demanda, os criadores passaram a utilizar produtos e subprodutos de grãos de cereais com alto teor de amido em substituição à alimentação volumosa, por ser uma fonte rápida e de grande quantidade energética. Outras vantagens é que estes produtos apresentam custo acessível e não necessitam de muito espaço para armazenagem. Além disso, dietas compostas apenas por forragens não são capazes de suprir a energia requerida pelo cavalo em atividade.

Entre os aditivos utilizados na produção animal, destacam-se os probióticos, que trazem benefícios à saúde do hospedeiro, não deixam resíduos nos produtos de origem animal e não promovem resistência às drogas. Os probióticos têm sido utilizados em outros monogástricos (aves e suínos) como promotores de crescimento em substituição aos antibióticos. Contêm microrganismos e substâncias que propiciam o balanceamento microbiano intestinal adequado e contribuem efetivamente para a melhoria na absorção dos nutrientes pelo organismo animal.

O pH e a taxa de renovação são fatores químicos e fisiológicos que influenciam o crescimento microbiano. Ambos são influenciados pela dieta e por outros fatores correlacionados como o nível de consumo, o manejo alimentar, a qualidade da forragem e a relação volumoso/concentrado.

As leveduras têm sido administradas aos animais há centenas de anos, seja na forma de mosto fermentado, subprodutos de fábricas e destilarias ou como produtos comerciais especialmente produzidos para alimentação animal. Atualmente, existem várias pesquisas em andamento para demonstrar a importância do equilíbrio na microbiota intestinal através de alimentação adequada e saudável. O objetivo é favorecer o crescimento de uma microbiota benéfica, e assim obter um melhor aproveitamento alimentar e desenvolvimento do animal. Uma estratégia para isso é o uso de leveduras vivas como a Saccharomyces cerevisae.

A Saccharomyces cerevisiae também conhecida como “Baker´s yeast” têm sido a principal levedura utilizada para estas finalidades. Mas outras espécies também ganharam importância e receberam denominações muito comuns como é o caso da Candida utilis (Torula), capaz de produzir pentoses e a Kluyveromyces marxianus (Whey Yeast) ou levedura de soro de leite, que utiliza a lactose como substrato.

As leveduras são fungos microscópicos com cerca de 5-10 micrômetros de diâmetro. A multiplicação das células é por brotamento ou por fissão utilizando diferentes fontes de carbono. São microrganismos anaeróbios facultativos, o que significa que podem sobreviver e crescer com ou sem oxigênio. Em geral os processos de propagação e produção de biomassa de leveduras são aeróbios, como acontece com o fermento de pão. Neste caso, a levedura S. cerevisae converte oxigênio e açúcar em dióxido de carbono e biomassa celular gerando um saldo de 36 ATPs por molécula de glicose. O ATP fornece energia necessária para a célula desempenhar suas atividades metabólicas e multiplicação.

A energia na nutrição equina é o fator de maior importância principalmente para o cavalo em atividade, sendo fornecida através da utilização da forragem e mistura com o concentrado. A necessidade protéica, vitamínica, mineral e dos outros nutrientes, depende da forragem recebida e da fase de vida que se encontram. Já a necessidade energética deve levar em consideração alguns parâmetros como: o tipo de trabalho, tempo de duração, temperatura ambiente, condição do animal, entre outros.

A produção de ácidos graxos voláteis (AGVs) no intestino grosso dos equinos através do consumo de forragens, pode suprir em grande parte a necessidade energética de mantença. Mas para atingir a necessidade energética de cavalos em atividade se torna insuficiente e nestes casos é comum a adição de grãos e/ou subprodutos de grãos de cereais, que possuem grandes quantidades de amido que fornecem mais energia do que as forragens.

Os carboidratos ocupam aproximadamente 75% da ração da dieta dos equinos, no entanto, é necessário que haja equilíbrio entre carboidratos estruturais e não estruturais. A ingestão de quantidades elevadas de amido na dieta do cavalo pode não ser totalmente digerida no intestino delgado, chegando ao ceco e cólon e promovendo o desequilíbrio da microbiota intestinal. Essa mudança na microbiota pode ter como consequência o aumento da produção de ácido lático e queda do pH, podendo causar distúrbios gastrointestinais e deixando o animal mais susceptível a cólica e laminite, por exemplo.

Além disso, a eficiência de utilização da fibra dietética pelos equinos está associada a importantes fatores como a composição da dieta, especialmente a proporção entre volumoso e concentrado, a taxa de fermentação microbiana e a taxa de passagem da digesta. A maior digestibilidade da fibra geralmente está associado ao aumento do tempo de retenção da digesta.

O conceito de probiótico foi relatado pela primeira em 1907, onde observou-se que o consumo de leite fermentado por um grupo étnico específico, foi responsável por uma maior longevidade e sugeriu que estes produtos manipulavam a microbiota intestinal, auxiliando no equilíbrio das bactérias patogênicas e não patogênicas. A estabilização da microbiota no intestino ajuda o animal a resistir a infecções, particularmente do trato gastrointestinal. Vale lembrar que este equilíbrio também pode ser influenciado pela dieta e por fatores ambientais, sendo os três principais: o excesso de higiene, uso de antibióticos terápicos e estresse.

Os probióticos são usados para proporcionar enzimas digestivas e tentar estabelecer um equilíbrio desejável dos organismos intestinais. Vários microorganismos são utilizados como probióticos, sendo os mais comuns os do gênero Lactobacillus, Bifidobacterium, Streptococcus, além das leveduras vivas como a Saccharomyces cerevisiae. O modo de ação dos probióticos ainda é discutido, porém possíveis mecanismos são descritos, como:

- Supressão da contagem viável por: produção de componentes antibacterial, competição por nutrientes e/ou competição por sítios de ligação;

- Alteração do metabolismo microbiano, pelo aumento ou queda da atividade enzimática;

- Simulação de imunidade pelo aumento do nível de anticorpos, ou aumento da atividade macrófaga.

Alguns pesquisadores realizaram estudos para analisar a influência de probióticos na alimentação equina. Observaram que a suplementação com S. cerevisae aumentou a concentração de células vivas viáveis no ceco e cólon. Aparentemente a suplementação com a cultura modificou o pH e as concentrações do ácido lático e amônia.

Seguindo a mesma linha de pesquisa e analisando a influência da cultura de S. cerevisae na digestibilidade aparente e na taxa de passagem de cavalos alimentados com concentrado e volumosos em proporções iguais, concluíram que a suplementação com levedura melhorou a digestibilidade. Isso ressalta a estratégia de usar a levedura para estimular a digestão da celulose e melhorar o estado nutricional de cavalos submetidos a dietas com concentrado e volumoso. Como se pode observar, a dieta é apenas um dos sérios fatores que podem influenciar os resultados. O efeito estimulante de crescimento por si só pode ser variável, pois isso ocorrerá quando animais forem afetados pela depressão do desenvolvimento da microbiota.

 

Thiago Centini é graduado em Medicina Veterinária pela Universidade de Franca (UNIFRAN); Mestre em Medicina Veterinária pela Universidade de São Paulo (USP) com tese em efeito da suplementação dietética com ácidos graxos ômegas 3 e 6 sobre a composição do colostro e leite de éguas e transferência imunitária para os potros e Coordenador da área de Equinos da Premix. Além disso, possui diversas publicações em anais de eventos, capítulo de livro, artigo em periódico e participação de bancas de comissões julgadoras do Centro Universitário de Rio Preto.

 

 
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Criador do cavalo Brasileiro de Hipismo (BH) e Andaluz Brasileiro (AB)

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